Notícia - Endividamento cai entre os paranaenses, revela pesquisa dos TP de PR

Endividamento cai entre os paranaenses, revela pesquisa dos Cartórios de Protesto do Paraná

35% dos entrevistados acumularam dívidas em 2025 e mais da metade não possui reserva de emergência, mas redução no valor dos débitos e menor necessidade de cortes mostram reorganização econômica das famílias

Publicado em: 07/01/2026

O panorama financeiro dos paranaenses apresentou melhora em 2025. É o que revela a nova edição da pesquisa “Retrato Econômico do Paraná”, realizada pelo Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil - Seção Paraná (IEPTB/PR), que representa os Cartórios de Protesto do estado. O levantamento entrevistou 918 pessoas em todas as mesorregiões do estado, entre 7 e 10 de novembro de 2025.

A pesquisa revela que 35% dos entrevistados acumularam dívidas em 2025, uma queda de 7% em relação a 2024, no qual 42% dos entrevistados declararam ter acumulado dívidas. O levantamento mostra, ainda, que metade dos paranaenses reduziram gastos em 2025, número inferior ao registrado no ano anterior, quando 70% haviam cortado despesas.

PANORAMA DAS DÍVIDAS

O cartão de crédito permanece como principal meio de endividamento (34%), mas com queda em relação a 2024 (40%). Na mesma linha seguem os empréstimos pessoais, que aparecem com 15% neste ano, contra 20% no ano anterior. O tipo de dívida que teve significativo crescimento foi o crediário/carnês de lojas, hoje citado por 14% dos entrevistados, contra 2% em 2024 — um aumento de 12% na modalidade.

Para o presidente do Instituto de Protesto do Paraná, João Norberto França Gomes, o cartão de crédito continua sendo o principal vilão para o desequilíbrio financeiro, porque oferece um limite que não necessariamente acompanha a realidade financeira, além de possuir juros altos.

“A orientação é sempre priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos, para evitar que pequenas pendências se transformem em compromissos difíceis de pagar. Quitar primeiro o cartão de crédito devolve previsibilidade ao orçamento e acelera a recuperação financeira das famílias”, orienta o presidente.

tipos de dívidas

VALORES DAS DÍVIDAS

Os paranaenses possuem dívidas de menor valor, se comparado ao mesmo período do ano passado. Em 2024, a maioria dos paranaenses (32%) possuíam dívidas entre R$2.001,00 a R$5.000,00. Em 2025, esse percentual foi de 21%. Além disso, 29% dos paranaenses disseram possuir dívidas entre R$500,00 e R$1.000,00.

“A queda nas dívidas de maior valor indica que os paranaenses estão reorganizando o orçamento e controlando melhor os gastos, mas o aumento das dívidas menores revela que ainda existe dificuldade para manter as contas em dia. Valores considerados ‘pequenos’ também comprometem o orçamento quando se acumulam”, salienta João Norberto França Gomes.

valor das dívidas

RAZÕES DO ENDIVIDAMENTO

Os paranaenses apontam como principais motivos para o acúmulo de dívidas os gastos com imprevistos/emergências (35%) e a falta de planejamento financeiro (28%). Na sequência, aparecem desemprego/ficou sem renda, citados por 23% dos entrevistados e o consumo excessivo, com 14%.

razões do endividamento

DÍVIDAS PROTESTADAS E NEGOCIAÇÃO

A pesquisa mostra que 27% dos entrevistados tiveram pelo menos uma dívida protestada em 2025. A percepção sobre a efetividade da cobrança extrajudicial é evidente: 8 em cada 10 participantes afirmaram que pagariam suas dívidas se fossem intimados pelo Cartório de Protesto, e quase 90% dizem estar dispostos a pagar caso o credor ofereça condições de negociação.

“O Protesto é uma ferramenta eficaz para estimular acordos, reduzir a inadimplência e evitar a judicialização. Além de proteger o credor, o procedimento abre caminho para que o próprio devedor solicite ao tabelião a intermediação de uma renegociação, permitindo que ambas as partes encontrem uma solução rápida, segura e vantajosa”, afirma o presidente.

QUEDA NA REDUÇÃO DE GASTOS

O levantamento mostra que metade dos paranaenses reduziram gastos em 2025, número inferior ao registrado no ano anterior, quando 70% haviam cortado despesas. A mudança representa uma queda de 20% na necessidade de redução de consumo, indicando maior estabilidade orçamentária.

Os principais cortes dos paranaenses neste ano foram em viagens ou planejamento de viagens (18%), o cancelamento de TV por assinatura ou streaming (15%) e a diminuição de gastos com restaurantes, bares e cinemas (12%).

cortes de gastos em 2025

RAIO-X DO ORÇAMENTO

O levantamento revela que os gastos com alimentação são os que mais estão pesando no bolso dos paranaenses atualmente, com 44%, seguidos de aluguel (25%) e combustível (21%).

pensando no orçamento

PRINCIPAIS MEDOS E PREOCUPAÇÕES DOS PARANAENSES

Entre os maiores medos expressamente indicados pelos entrevistados estão perder o emprego/ficar sem renda, preocupação mencionada por 32% dos paranaenses. Em segundo lugar aparece o medo de acumular muitas dívidas e não conseguir pagá-las (19%). Na sequência, figuram o medo de não ter poder aquisitivo para comprar itens essenciais (17%).

principais medos

GASTOS COM APOSTAS ONLINE

Apesar dos medos em relação ao futuro, 29% dos entrevistados fizeram apostas online (bets) em 2025, contra 25% em 2024, representando um aumento de 4%. Daqueles que fizeram esse tipo de aposta neste ano, 17% utilizaram recursos que previamente possuíam outra destinação, contra 57% dos entrevistados no mesmo período de 2024.

“Os números mostram que o medo da perda de renda e do endividamento domina o cenário financeiro das famílias. Ao mesmo tempo, observamos um aumento dos gastos com apostas online, o que indica que parte da população está buscando alternativas de renda de alto risco em um momento de instabilidade. Reforçamos a importância de fortalecer práticas de crédito responsáveis e ampliar a educação financeira, para que a população tome decisões mais seguras”, destaca o presidente do IEPTB/PR.

PLANEJAMENTO FINANCEIRO

A pesquisa dos Cartórios de Protesto do Paraná evidencia, ainda, que mais da metade dos paranaenses não possui qualquer reserva de emergência (55%). Houve uma pequena diminuição em relação ao mesmo período do ano passado, em que 60% dos paranaenses responderam não possuir reservas de emergência.

Daqueles que guardam dinheiro, 40% disseram que poupam todo o mês, o que representa um aumento de 20% em relação a 2024, em que apenas 20% dos entrevistados poupavam todos os meses. O percentual equivalente a 36% dos entrevistados informou poupar de vez em quando, contra 27% do percentual indicado em 2024, representando, assim, uma alta de 9%. E 24% dos entrevistados disseram que poupam raramente, parcela muito semelhante à observada em 2024, na qual 22% indicaram a mesma resposta.

“O aumento no número de paranaenses que conseguem poupar mostra que as famílias estão recuperando sua capacidade de organizar e planejar o orçamento doméstico”, afirma o presidente do Instituto de Protesto do Paraná.

TIPOS DE INVESTIMENTO

Entre os paranaenses que conseguiram guardar dinheiro, a poupança segue como a aplicação preferida, concentrando a escolha de metade dos entrevistados. Em seguida aparecem os fundos de investimento (13%) e o CDB (9%), percentual igual ao das ações (9%). A previdência privada foi mencionada por 4% dos respondentes, enquanto as criptomoedas foram citadas por 5%.

PLANOS PARA O 13º SALÁRIO

Considerando apenas as destinações para o 13º salário explicitamente assinaladas pelos entrevistados, o principal plano dos paranaenses continua sendo para o pagamento de dívidas (29%), seguido de guardar para poupança/investimentos (22%) e para realizar uma viagem ou passeio (15%).

planos para o 13º salário

OBJETIVOS FINANCEIROS PARA 2026

Após um período de maior disciplina orçamentária e reorganização das contas, a pesquisa revela que grande parte dos paranaenses volta a olhar para o futuro com a intenção de realizar conquistas financeiras.

Entre os que afirmam ter metas para 2026, destacam-se objetivos ligados à melhoria da qualidade de vida e à construção de patrimônio, como a compra de veículos e de imóveis, além do desejo de viajar e investir em educação.

Ainda assim, 24% dos paranaenses declara não possuir qualquer objetivo financeiro para o próximo ano, evidenciando que a estabilidade econômica ainda não é uma realidade para todos. “Os resultados mostram um ciclo de menor endividamento e disciplina orçamentária. As famílias estão reorganizando suas contas e planejando o futuro com mais responsabilidade, o que é extremamente positivo para o mercado e para a economia do estado”, afirma o presidente do Instituto de Protesto do Paraná.

objetivos financeiros

REDUÇÃO DE GASTOS NO FINAL DE ANO

Cerca de 65% dos paranaenses admitiram que vão reduzir os gastos de final de ano. Desse percentual, 28% irá cancelar viagens e passeios, 24% disseram que irão reduzir os gastos com presentes para familiares e amigos e 22 % que devem reduzir os gastos com festas e confraternizações.

despesas de final de ano

ENDIVIDAMENTO DE FINAL DE ANO

A pesquisa mostra que a maior parte dos paranaenses adota uma postura cautelosa em relação aos gastos de final de ano: cerca de 43% afirmou não realizar grandes despesas nessa época. Outros 26% dizem não se endividar porque conseguem pagar à vista, demonstrando maior planejamento financeiro para esse período. Ainda assim, 19% admitem recorrer ao cartão de crédito ou ao parcelamento e acabam estendendo o pagamento das compras pelos meses seguintes, enquanto 12% afirmam sempre se endividar e iniciar o novo ano já comprometidos com dívidas sazonais.

“Percebemos que, embora parte da população já busque evitar gastos excessivos, outra parcela ainda enfrenta dificuldades para lidar com as despesas típicas de final de ano. Esse comportamento mostra a importância de conhecer a própria realidade financeira e planejar com antecedência. Quando as pessoas passam a ter conhecimento do seu orçamento, criam reservas e organizam seus gastos, evitando, assim, começar o novo ano endividadas”, afirma o presidente do IEPTB/PR.

Sobre a pesquisa

A pesquisa “Retrato Econômico do Paraná” foi realizada presencialmente em todas as mesorregiões do Estado entre 7 e 10 de novembro de 2025, com 918 entrevistados em Campo Mourão, Cascavel, Cornélio Procópio, Curitiba, Francisco Beltrão, Guarapuava, Irati, Londrina, Ponta Grossa e Umuarama.

Os dados foram analisados por estatística descritiva, com comparativos intertemporais em relação à base de 2024.

Sobre o IEPTB/PR

O Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seção Paraná (IEPTB/PR) representa os 177 Cartórios de Protesto do Estado e atua na promoção de estudos e ações voltadas ao desenvolvimento, modernização e fortalecimento da atividade de protesto como instrumento de segurança jurídica, cidadania e estímulo à adimplência.